terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Houston, we have no problem

  Houston, não há problemas vamos levantar voo. Faça sua contagem regressiva e vamos embora. Por aqui as coisas andam muito difíceis. Ontem os termómetros da cidade marcavam trinta e oito graus, um calor dos diabos meu chapa. Meu caro amigo, é natal, as pessoas estão se engalfinhando por um pedaço de peru e eu sou fã incondicional do bom e velho churrasco. Houston, por falar em comida, você sabia que aqui milhares de pessoas passam fome? Mas acho que você não sabe disso, é difícil enxergar a vida como ela é por detrás de suas fronteiras intransponíveis. Outro dia mesmo, vi meninos assustados descerem algemados de uma favela daqui, aos gritos "futebolescos" de - Mata! Atira! - As pessoas precisam entender, que na vida real não dá pra dividir a massa em mocinhos e bandidos. Não somos todos ambos? As pessoas não tem mais paciência meu velho. OPA, desculpa a intimidade, mas é que já vi tanto os seus filmes, que parece que você já é de casa. Seus hamburgeres também são ótimos. Mas voltando ao assunto, que horas vamos partir? Minhas malas já estão prontas meu amigo. Nelas coloquei minha escova de dentes e minha desesperança com a raça humana. Acho que podemos levar também alguns animais. O que acha? Talvez eu precise de uma companhia feminina. O Senhor acha que a menina do "crepúsculo" aceitaria o convite? Bom, já que vocês são tão chegados talvez o amigo possa interceder por mim. Deixa pra lá vai, você nunca foi bom nessas coisas mesmo. E além do mais, vai que ela leva o vampiro anémico a tiracolo. Eles namoram na vida real não é mesmo? Nossa, as pessoas tem o grave defeito de confundir ficção e realidade. E isso meu caro, é culpa sua. Suas músicas, seus programas de TV e suas propagadas lobotomizaram nossas pobres mentes e nos deixaram a impressão de que podíamos viver um sonho impossível. Nos transformamos em "Dom Quixotes" sem eira e nem beira. Você nos fiz de escravos, nos colocou atrás do balcão da sua lanchonete. Ficamos viciados em suas "MCofertas", e por isso você tem a obrigação moral de me tirar daqui. Meus irmãos estão morrendo, aos poucos vamos "desevoluindo". Nos tornamos bichos e nos devoramos. Portanto ligue as máquinas, pois vou passar o reveillon em Marte. E de lá não volto mais.


Fabio Alavez